Vem pela mão do pai e senta-se ao meu lado. Olha para mim de soslaio como se nunca me tivesse visto (e nunca viu) e após uns breves instantes decide que sou confiável e esboça-me um sorriso tímido mas travesso. Eu retribuo. Envergonhada baixa o olhar. Olha para a bolacha Maria meia roída, húmida e pegajosa que traz na mão. Paramos. levanta os olhos para o pai e pergunta entusiasmada: "Podemos dar mais uma volta? Podemos? Podemos andar outra vez?!" O pai acena com a cabeça e ela olha para mim e solta um risinho cúmplice, como se eu estivesse a gostar tanto daquela viagem como ela. Prosseguimos.
Dá mais uma trinca na bolacha. Paramos de novo. Olha expectante para o pai e ele paciente acena com a cabeça, ela volta a olhar-me e sorri. Nesse momento, sou invadida por uma nostalgia e ternura que não consigo explicar, lembro-me de tudo, lembro-me das viagens que fazia pela mão do meu pai e como para mim, tal como para aquela menina que nunca havia visto antes, andar no Metropolitano de Lisboa se assemelhava a uma volta num maravilhoso e mágico carrossel!

Nenhum comentário:
Postar um comentário